Princípios da Rede


A REDE INTERNACIONAL CASLA-CEPIAL (SEMEANDO NOVOS RUMOS – SEMBRANDO NUEVOS SENDEROS) surge a partir do III CEPIAL, em julho de 2012, na cidade de Curitiba, Paraná, Brasil, aproximando organizações sociais, instituições acadêmicas e outras instâncias do poder público, no âmbito de América Latina e Caribe – mas aberta também a outras regiões e continentes – e busca fortalecer o diálogo e ações conjuntas que visem o apoio ao desenvolvimento sustentável e à ampliação da participação democrática e da preservação dos direitos coletivos de sociedades e povos que vivem em situações de vulnerabilidade social.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

REDE CASLA-CEPIAL apoia o IV Simpósio Nacional de Geografia Política, Território e Poder (GEOSIMPÓSIO) e o I Congresso Brasileiro do Centenário da Guerra do Contestado (I CONGRESSO DO CONTESTADO)

 LUTAS, RESISTÊNCIAS, CRIMES DE GENOCÍDIO E DIREITO À VIDA E À EXISTÊNCIA EM TODAS AS FRONTEIRAS


Organização no período de 15 a 17 de novembro de 2017, o IV Simpósio Nacional de Geografia Política, Território e Poder (GEOSIMPÓSIO), o II Simpósio Internacional de Geografia Política e Territórios Transfronteiriços (GEOTRANSFRONTEIRIÇO) e o I Congresso Brasileiro do Centenário da Guerra do Contestado (I CONGRESSO DO CONTESTADO), tendo como temática central as lutas, resistências, crime de genocídio e direito à vida e à existência em todas as fronteiras, que, em conjunto, darão continuidade aos eventos anteriores ocorridos em 2009 (UFPR-Curitiba), 2011 (UNIOESTE - Foz do Iguaçu, com o GEOTRANSFRONTEIRIÇO), 2013 (UFAM – Manaus). O GEOSIMPÓSIO e o GEOTRANSFRONTEIRIÇO foram idealizados pelo proponente deste projeto em tela, em 2008, como forma de disseminar, agregar e debater temáticas geográficas, sobretudo da Geografia Política e da Geopolítica, a partir da Linha de Pesquisa Geografia Política, Território, Poder e Conflito. Os eventos têm por objetivo propiciar análise e discussões críticas contemporâneas da Geografia Política, da questão do Território, Territorialidade e Questões Transfronteiriças que vem sendo desenvolvidas em todo o Brasil e no exterior, com objetivos de divulgação, debate e formação de rede de intelectuais que trabalham com essa temática nas Instituições de Ensino Superior no Brasil e no exterior, bem como outras entidades de estudos e pesquisas, inclusive da sociedade civil. Com isso, os eventos permitirão a discussão de novos conceitos temáticos e aprofundamento e socialização daqueles já clássicos da Geografia Política, bem como no que se refere ao exercício das práticas (lutas e resistências). Concomitantemente, realizar-se-á o I CONGRESSO BRASILEIRO DO CENTENÁRIO DA GUERRA DO CONTESTADO, como esforço de divulgação e debates sobre este importante episódio registrado na formação territorial brasileira, inteiramente ligado ao tema central dos eventos da Geografia Política, Território e Poder. A inclusão deste evento, se deve a negligência da Geografia brasileira sobre as questões amplas e complexas que envolvem esta que foi a maior guerra civil camponesa registra em solo nacional no início do século XX.

Segundo o Coordenador Geral dos referidos eventos, o Prof. Dr. Nilson Cesar Fraga (UEL), 

     ¨O momento é fundamental para se refletir os centenários da Guerra do Contestado e o   massacre cometido pela República contra os caboclos e caboclas daquela região que, 100 anos depois, carrega os piores índices de desenvolvimento humano, tanto no Paraná, como em Santa Catarina. Há um vazio de debate sobre a Guerra do Contestado entre os anos de 2012 e 2017, período marcado pela limpeza étnica na região. Trazer o debate sobre essa guerra em eventos ligados a Geografia Política brasileira, é um alento, pois o tema fico nas sobras dos grandes eventos da Geografia nacional, no decorrer desses centenários¨.


Confira a programação do Evento no link: https://geosimposio2017.vpeventos.com/pagina/26-programação


PROMOÇÃO E REALIZAÇÃO:  
Laboratório de Geografia, Território, Meio Ambiente e Conflito – GEOTMAC/UEL 
Linha de Pesquisa em Geografia Política, Território, Poder e Conflito 
Observatório do(s) Centenário(s) da Guerra do Contestado 
Pró-Reitoria de Extensão – PROEX/UEL 
Programa de Pós-Graduação em Geografia – PPGEO/UEL/Paraná 
Programa de Pós-Graduação em Geografia – PPGG/UNIR/Rondônia

APOIO

Universidade Estadual de Londrina - UEL
 Laboratório de Geografia, Território, Meio Ambiente e Conflito
 Observatório do(s) Centenário(s) da Guerra do Contestado
 Pró-Reitoria de Extensão – PROEX/UEL
 Casa da América Latina – CASLA (PR)
 Rede Cultura e Educação para a Integração da América Latina- CEPIAL (PR)
 Programa de Pós-Graduação em Geografia – PPGG-UNIR
 Programa de Pós-Graduação em Geografia – PROPGEO-UEL
 Programa de Pós-Graduação em Geografia – PPGEO/UNICENTRO
 Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB-Londrina
 Curso de Secretariado Executivo - UEL
 Universidade Estadual do Norte do Paraná – Geografia/UENP
 Universidade Estadual do Paraná – Geografia/UNESPAR/UV
 Grupo de Pesquisa Redes e Poder no Sistema Internacional-RPSI
 Grupo de Pesquisa Estudos Geográficos - GPEG - UEA/Tabatinga
 Núcleo de Estudos do Contestado – NEC/IFC-Videira/SC


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Breve relato sobre o V CEPIAL - Encuentro Internacional MINGA PARA LA PAZ, EL BUEN VIVIR Y LA NO VIOLENCIA - 2017

Breve relato sobre o V CEPIAL, no contexto do Encuentro Internacional MINGA PARA LA PAZ, EL BUEN VIVIR Y LA NO VIOLENCIA – Pasto – Departamento de Nariño – Colômbia – 19 ao 23 de junho de 2017.


Participação da Rede Internacional Casla-Cepial:

Com a presença de participantes brasileiros (mais de 50 presentes só do Brasil), além de argentinos, chilenos, mexicanos, colombianos, guatemaltecos, equatorianos, panamenhos, peruanos, venezuelanos e kurdos, o evento, com mais de 400 participantes, caracterizou-se por um profundo entrelaçamento de culturas, representações de populações indígenas, afro-colombianos, pesquisadores, estudantes e organizações sociais, autoridades locais, nacionais e internacionais.


Na abertura do Encontro Internacional e do V CEPIAL, a Rede Internacional Casla-Cepial contou com a saudação da coordenadora geral, Dra. Gladys Renée de Souza Sanchez, que fez um emocionante manifesto pela paz, ressaltando que a mesma só faz sentido se for entendida como processo de construção em que os protagonistas são os próprios atores sociais, na perspectiva dos direitos humanos e da visibilização e correção das exclusões históricas das populações subalternas; em sua fala, foram abordadas vivências culturais por meio de metáforas e escritos literários relativos aos encontros, desencontros e imaginários sobre os trens, como alusão ao constante transitar de pessoas ao longo dos caminhos, encontros e desencontros, presentes em muitas narrativas dos escritores latino-americanos.





O evento contou com amplas conferências pelas manhãs dos dias 20, 21 e 22, com os seguintes temas:

* Dia 20 pela manhã: Guerra, globalização e re-existências, por meio de relatos, análises e depoimentos de mexicanos, colombianos, brasileiros, kurdos, equatorianos e venezuelanos.

* Dia 21 pela manhã: Conflito, pós-acordo, pós-conflito e reconciliação, com a presença de representantes das FARC, analistas políticos e acadêmicos.

* Dia 22 pela manhã: Mulheres, diversidade e mundos possíveis, com a participação de mulheres da Colômbia, Argentina, Guatemala e Brasil.

* Dia 23 pela manhã: Bem Viver e Paz com a Natureza com conferencistas do Equador, Colômbia, Chile, Panamá e Perú.

Rituais Místicos foram realizados no Pátio da Universidade, a fim de despertar a espiritualidade dos participantes com os elementos da natureza e os territórios autóctones das etnias andinas.





Pelas tardes, dos mesmos dias 20, 21 e 22, foram realizadas dezenas de mesas redondas em que foram debatidos os seguintes eixos temáticos: Territórios, culturas e naturezas na perspectiva biocultural; Bem viver e alternativas ao desenvolvimento; situação e apostas das mulheres em tempos de guerra e paz; Pedagogias para a paz, bem viver e sustentabilidade; Estéticas e narrativas audiovisuais de paz e conflito; Sujeitos subalternos, práticas sócio-políticas em situação de vulnerabilidade socioambiental; Espiritualidades, cosmovivências e práticas de libertação; Crise da democracia: Brasil, Venezuela e Colômbia – (i)legitimidade política, reformas e atropelo aos direitos sociais ; Gestão do território; Economias para a vida, cultivos lícitos e ilícitos; Soberania e segurança alimentar; Reforma agrária; Paisagens, territórios e naturezas em contextos de modernidades múltiplas; Violência de gênero, discriminação e inclusão social; Gênero e interculturalidade para a construção da paz. Todos os dias ocorriam apresentações artísticas, musicais, mostras de fotografia, murais, místicas com cosmovisões indígenas, feiras de livros.






Destacamos a belíssima apresentação musical no Teatro Imperial da cidade de Pasto da cantora brasileira (curitibana) Juliana Cortes Moraes (Grupo Invento Cultural) acompanhada por Fabrício Gambogi (violão) e Clarissa Ferreira (violino).



Na sexta-feira, dia 22, pela tarde, foi realizado o Carnaval para a Paz, com carro alegórico, bandas e fanfarras, com o passeio pelas ruas de Pasto, sendo que a apresentação contou com os aplausos da população que assistia nas calçadas da cidade.






A delegação brasileira fez uma visita a uma reserva ecológica Recanto Andino, em La Cocha, cuja gestão socioambiental é liderado pelas mulheres, cuja líder, Dueña Conchita nos recebeu e fez um relato emocionante das lutas de resistência de mais de 30 anos, como construção do Bien Vivir, baseado na concepção do desenvolvimento à escala humana dos ecologistas chilenos Manfred Max-Neef e Antonio Elizalde, em que se pratica a agroecologia e a gestão compartilhada dos bens comuns naturais. Na reserva ecológica pudemos passear pelas trilhas e visitar o Páramo em que se encontra a planta chamada de Frayleón que cresce 1 cm. ao ano, sendo que há plantas com mais de 500 anos.





Por Dimas Floriani

segunda-feira, 29 de maio de 2017

CONFIRAM PROGRAMAÇÃO ATUALIZADA DOS GTS E MESAS DO V° CEPIAL - COLOMBIA

Faltando aproximadamente 20 dias para o inicio do V° Congresso Internacional de Educação e Cultura para a Integração da América Latina, a ser realizado na Universidade del Cauca, na cidade colombiana de San Juan de Pasto, disponibilizamos a programação Atualizada em 31 de maio (sujeita a modificações).






PAINEL GERAL





19 junho (segunda-feira)


20 junho (terça-feira)











21 Junho (quarta-feira)









22 junho (quinta-feira)







23 junho (sexta-feira)


segunda-feira, 20 de março de 2017

Reuniões do Projeto SELO SOCIOAMBIENTAL DA AGROFLORESTA FAXINALENSE avançam

Nos dias 11 e 12 de março de 2017, o Grupo Interconexões apresentou o Projeto Selo Socioambiental dos Produtos da Agrofloresta Faxinalense nas comunidades de Faxinal do Emboque, em São Mateus do Sul, e Faxinal do Salto, em Rebouças – PR.
















Entre os parceiros do projeto ,coordenado pelo Prof. Dr. Nicolas Floriani (UEPG), estavam os integrantes do GP Interconexões (Prof. Tiago Augusto Barbosa, Msc. eng. agrônoma Andrea Mayer Veiga, Msc. geógrafa Adelita Stanisky) e os parceiros: CASLA (Casa Latino-americana), Dra. Gladys de Souza Sanchez e o Bacharel em Direito Emerson Hideki Handa; Prof. Dr. Dimas Floriani do Made-UFPR/ CASLA e o Arquiteto Irlandês Duncan Crowley; do LAPEF-Unicentro, Prof. Dr. Ancelmo Schörner e Msc. Sônia Vanessa Langaro. 

No Faxinal do Salto também estavam presentes o representante da prefeitura Laércio Antônio Cipriano (vereador) e a Secretária de Agricultura Lidiane Menezes. 

Este encontro resultou uma importante socialização entre o grupo e as comunidades, com esclarecimentos sobre os objetivos, etapas, metodologias do projeto e a proposta de empoderamento  e capacitação sociotécnica em agroecologia e agroindústria, além de outras conversas a fim de fortalecer laços e gerar esclarecimentos.

As duas comunidades visitadas trouxeram suas demandas e potencialidades e firmaram acordo com a equipe do projeto ao assinar a carta de anuência, firmando suas participações frente aos objetivos e futuras atividades, na criação e implementação do Selo Socioambiental.


Por Adelita Staniski e Samara Moleta Alessi

quarta-feira, 1 de março de 2017

Rede CASLA-CEPIAL apoia Encontro das Benzedeira do Centro Sul do Paraná

A Rede CASLA-CEPIAL divulga e apoia o 3° ENCONTRO DAS BENZEDEIRAS(OS) DO CENTRO SUL DO PARANÁ. O evento, a ser realizado nos dias 01 e 02 de abril de 2017, é promovido pelo Movimento Aprendizes da Sabedoria (MASA) e Rede Cultura e Conhecimentos Tradicionais. 

Além da Rede Casla-Cepial, apoiam o encontro as seguintes entidades: CESE, Rede Puxirão, IFPR (Campus Irati), Terra de Direitos, Unicentro, Encontra-UFPR, IEEP, Interconexões-UEPG, Prefeitura Municipal de Rebouças, Sindicato de Trabalhadores Rurais de São João do Triunfo e Rebouças, Ministério da Cultura e APP Sindicato de Irati.

A terceira reunião de benzedeiras e curadores marca a luta dessa categoria social pelo reconhecimento de suas identidades culturais, associadas às comunidades rurais e  seus territórios historicamente formados na região do Paraná tradicional.

O patrimônio material e imaterial da cura e da benção vernaculares são expressões simbólicas da medicina popular que liga o catolicismo rústico à agrobiodiversidade. Saúde e direitos socioterritoriais serão tema de debate entre esses novos sujeitos de direito, a academia e o poder público.  

Confira a programação no folder oficial do Evento, logo abaixo.


segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

CONVOCATÓRIA AO V° CEPIAL NA COLÔMBIA: MUTIRÃO ("MINGAS) PELA PAZ, BEM VIVER E NÃO VIOLÊNCIA


A Rede Casla-Cepial promove o V° CEPIAL juntamente com o Encontro Internacional "Mingas por la Paz, Buen Vivir y no Violência". O Evento que ocorrerá entre os dias 20 a 23 de junho de 2017, na cidade de San Juan del Pasto, Departamento de Nariño, Colômbia, buscará promover encontros de saberes e diálogos interculturais que mobilizem reflexões e processos que aportem processos de paz, o pós-conflito e o bem viver.
A proposta do  Encuentro Internacional resulta da conjunción de fatores favoráveis e incontornáveis atualmente en andamento na Colombia e do apoio das redes regionais, nacionais e internacionais que buscam articular fórmulas derivadas da experiência,  reflexão e prática  acerca da defesa dos direitos humanos e da natureza, a integração dos povos latino-americanos e as distintas experiências dos atores coletivos e envolvidos com esta perspectiva, tais como os atores acadêmicos, organizações e movimentos sociais de mulheres, jovens, setores camponeses, povos originários e demais atores públicos e privados, especialmente aqueles comprometidos com a perspectiva de construção de pontes para la paz.
Quatro Mutirões de Pensamento ("Mingas de Pensamiento") representam os eixos temáticos nos quais se promoverão espaços de diálogo entre acadêmicos, organizações sociais e poder público:
  1. Espiritualidades de la liberación
  2. Paz con la naturaleza
  3. Derechos humanos Culturas de paz y la solidaridad con el mundo
  4. Género,  identidad y diversidad sexual, juventudes y niñez
Com a disposição de conocer as  múltiplas vozes e visões que sobre estes temas possam aportar docentes, pesquisadores, estudantes universitários nacionais e estrangeiros, convidamos a enviar seus trabalhos (artigos, poster) e propostas de mesas redondas sobre as mingas de pensamento (os eixos temáticos) acima considerados, entre el 15 de enero y el 1 de abril de 2017. O Comité Académico do evento publicará os nomes das propostas selecionadas.
DATAS IMPORTANTES
  1. Publicação e notificação de resultados 17 de Abril de 2017.
  2. Las Inscrições para o evento se realizarão desde o 1° de janeiro ao 30 de maio.
  3. A divulgação da programação definitiva se realizará no dia 15 de maio.

Para maiores detalhes acesse o site oficial do Evento: https://encuentrobuenvivir.wordpress.com/ 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

INTEGRANTES DA REDE CASLA-CEPIAL da UNIR PROMOVEM AULA DE CAMPO em RONDÔNIA E CONVIDAM LIDER DO POVO SURUÍ PARA PARTICIPAR DO V° CEPIAL


UMA VIAGEM AO TERRITÓRIO PAITER SURUÍ


                                                                                        Por Nicolas Floriani


No dia 09 de dezembro de 2016, os professores do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Rondônia, Adnilson Almeida Silva, Josué Costa Silva e Maria das Graças Silva Nascimento Silva, integrantes da REDE CASLA-CEPIAL promoveram uma interessante aula de campo no território Paiterey Karah (nomeado como Terra Indígena Sete de Setembro, após o primeiro contato com o mundo ocidental). A ideia era promover uma convivência de três dias entre os acadêmicos (estudantes e professores) do programa de pós-graduação com os Paiter Suruí.

Convidado pelos referidos professores para participar dessa intensa experiência, o prof. Nicolas Floriani do Programa de Pós-graduação em Geografia da UEPG se insere nesse cenário, tendo como enredo inicial a viagem desde a capital Porto Velho em direção ao município de Cacoal.

No prédio histórico da sede da Unir, no centro da cidade, há poucas quadras da Avenida Farqhuar e da estação de trens à vapor da ferrovia Madeira-Mamoré, a equipe acadêmica se preparava para realizar a viagem em micro-ônibus que os levaria ao território Paiter Suruí.







No centro de Porto Velho, a estação ferroviária Madeira-Mamoré, instalada na barranca do rio Madeira, convida nossa imaginação a embarcar no final do século XIX quando da instauração do projeto de modernização da Região amazônica durante o regime político republicano.

Copiando o pesadelo do despojo e da colonização dos territórios indígenas do far west estadunidense e mexicano, a República Federativa do Brasil concede ao emblemático empresário norte-americano Farqhuar – homenageado com o nome de uma avenida da cidade - a função maior de executar a ligação do Brasil por ferrovia ao custo de contratos milionários. A homenagem ao cowboy simboliza a importância desse personagem no processo de imposição do projeto modernizador à populações tradicionais e indígenas: os préstimos da modernização (a instalação de ferrovias e telégrafos a serviço do capital transnacional do mercado da borracha) em áreas remotas e marginalizadas das regiões rurais do país seriam pagos com a devastação da floresta e a morte de miliares de caboclos e indígenas marcados a ferro e fogo no início do século XX.


Distante oito horas de Porto Velho, rumo ao sul do estado rondonense, a aldeia Paiter Suruí é um território de resistência ao projeto de modernização do mundo rural. A viagem pela rodovia  federal que sai da capital Porto Velho, passando pelas cidades de Ariquemes, Ji-Paraná e Cacoal, desvela uma paisagem de anos de devastação da floresta amazônica: áreas de parques nacionais recortadas, ao longo da rodovia, por extensas e planas áreas de monocultivo de soja, cavas de mineração, tanques de criação de tambaquis, degradadas pastagens de poucos bovinos em meio a solos vermelho e amarelo expostos; restaurantes à beira da rodovia anunciam a presença de pequenas cidades satélites.


Deixando a extensa rodovia asfaltada, a uma certa distância da sede do município de Cacoal, o micro-ônibus toma uma estrada de barro vicinal que corta um relevo marcado por morros acidentados ocupados por pastagens da bovinocultura extensiva: a paisagem pecuária transforma-se a medida que os esparsos capões de floresta vão paulatinamente se unindo, até formar um maciço verde daquilo que marcaria a entrada no território indígena. Nossa chegada, ao anoitecer, viria com a esperança de testemunhar um projeto contra-hegemônico de resistência à expropriação das populações autóctones e de sua floresta.






















Uma ponte quebrada e um pequeno barco de metal marcam essa ruptura. Do outro lado do rio, surge um túnel de árvores por meio do qual o grupo de estudantes e professores deveria adentrar em uma realidade muito pouco conhecida pela sociedade brasileira. Ocas, Roças, Agrofloresta, Instrumentos, Danças, Esportes, Alimentos, Plantas Medicinais, Artesanatos e Mitos Suruí foram compartilhados intensamente durante nossa breve mas densa visita à comunidade. 












A RESISTÊNCIA AO CAPITAL E AO ESTADO: A EMERGÊNCIA DE LIDERANÇAS INDÍGENAS


Desde os anos de 1970, o território Paiter Suruí perdeu muito em extensão. Aproximadamente a área de dois municípios (Ji-Paraná e Ariquemes) pertenciam a essa etnia. Os colonos vindos do sul e do sudeste do país que, incentivados pela política pública de colonização e modernização agrícola durante o regime militar, apossaram-se das terras indígenas expulsando as populações autóctone para outras regiões remotas da Amazônia ou para os grandes centros urbanos.

Com a redemocratização do país, no início dos anos 1980, um severo e sangrento conflito foi instalado. Atraídos pelas promessas do estado brasileiro de expansão da nova fronteira agrícola e da colonização das terras "incognitas" devolutas, os colonos migrantes ocupariam as terras indígenas, desmatando as florestas e implantando monocultivos e pastagens. O conflito sangrento perdurou até meados dos anos 1980, resultando na expulsão daqueles e marcando a história dos Paiter que reconquistariam uma pequena parcela do território invadido.

Atualmente o território indígena Paiter Suruí congrega 27 aldeias distribuídas em uma área de aproximadamente 248 mil hectares. Durante o processo de reconquista de suas terras, surge como protagonista o clã Gamebey (marimbondo preto, na língua da etnia), do qual emergira uma liderança indígena preocupada em resistir e lutar pelos direitos socioterritoriais da etnia desde o ano de 1969, quando do primeiro contato com a expedição oficial da FUNAI.

Filho do Labiway  (líder, na língua Paiter) Marimop e Weitã Suruí, Almir Narayamoga Suruí desponta nesse cenário como uma jovem liderança, defendendo a causa de seu povo frente às pressões e ameaças dos atores antagônicos locais e do Estado. Reconhecido internacionalmente por diversas entidades defensoras dos direitos humanos e do meio ambiente, destacam-se Prêmio Internacional de Defensor de Direitos Humanos (Societé Internationale de Droits de L’Homme, Genebra, 2008), Personalidade Sulamericana (Google, 2008), 100 pessoas mais criativas do mundo (revista Fast Economy, 2011), Ordem do Mérito Cultural (Brasil, 2012), Título Honoris Causa (UNIR, 2013), Prêmio Internacional Herois da Floresta (ONU, 2013).


Atualmente, Almir Suruí é presidente da Associação Metareilá do Povo Indígena Suruí e na sede da entidade recebeu gentilmente ao grupo de acadêmicos vindos da Terra Indigena Sete de Setembro. Na ocasião, os representantes da Rede Casla-Cepial convidaram o líder Suruí para participar do V°Cepial, a ser realizado no período de 22 a 25 de junho na cidade colombiana de El Pasto. Almir ouviu os representantes da Rede Casla-Cepial e declarou interesse em participar do evento na Colômbia.