Princípios da Rede


A REDE INTERNACIONAL CASLA-CEPIAL (SEMEANDO NOVOS RUMOS – SEMBRANDO NUEVOS SENDEROS) surge a partir do III CEPIAL, em julho de 2012, na cidade de Curitiba, Paraná, Brasil, aproximando organizações sociais, instituições acadêmicas e outras instâncias do poder público, no âmbito de América Latina e Caribe – mas aberta também a outras regiões e continentes – e busca fortalecer o diálogo e ações conjuntas que visem o apoio ao desenvolvimento sustentável e à ampliação da participação democrática e da preservação dos direitos coletivos de sociedades e povos que vivem em situações de vulnerabilidade social.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

PROFESSORES INTEGRANTES DA REDE ORGANIZAM OBRA COM POPULAÇÕES INDÍGENAS DA AMAZÔNIA

A Rede Internacional CASLA-CEPIAL parabeniza os pesquisadores Adnilson de Almeida Silva, Maria das Graças Silva Nascimento Silva, Josué da Costa e Nicolas Floriani pela organização da obra ¨Uma Viagem ao Mundo dos Pykahu-Parintintin: olhares, percepções e sentidos¨



A presente obra nasceu de um desejo coletivo a partir de um convite do povo originário autodenominado Pykahu e conhecidos na sociedade abrangente como Parintintin para que o Programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado em Geografia da Universidade Federal de Rondônia (PPGG/Unir) participasse do ritual do Yrerupykyhu ou Yrerua (celebração dos guerreiros) na Aldeia Traíra – Terra Indígena Nove de Janeiro, município de Humaitá, estado do Amazonas.

A obra apresenta as percepções de docentes e discentes dos Programas de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado em Geografia da Universidade Federal de Rondônia – PPGG/Unir e da Univer-sidade Estadual de Ponta Grossa – PPGG/UEPG e Programa de Pós-Graduação, Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente – PGDRA/Unir, os quais realizaram uma atividade de campo na Aldeia Traíra, situada aproximadamente a 40 quilômetros de Humaitá e a 5 quilômetros da BR-320, conhecida como Rodovia Transamazônica, no período de 21 a 23 de agosto de 2015, como parte da disciplina Populações Amazônicas e Sustentabilidade.

Os textos foram construídos com a participação direta do povo Pykahu-Parintintin, inclusive como autores da obra, que por meio de narrativas, entrevistas, bem como com a realização do ritual do Yrerupykyhu ou Yrerua (celebração dos guerreiros) contribuíram para que esta obra fosse consolidada.

Deste modo, os textos sintetizam as informações registradas no caderno de campo dos pesquisadores e prioriza as impressões e experiências empíricas, com vistas a atender as solicitações para a composição do livro produzido a partir das experiências empíricas e teóricas da disciplina.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

EVENTO ADADEMICO-COMUNITÁRIO APOIADO PELA REDE e UEPG LEVA UNIVERSIDADE A TERRITÓRIO RURAL TRADICIONAL

Regularmente ofertada, a Disciplina ¨Saberes Geoecológicos Tradicionais E Diversidade Socioterritorial¨, sob a responsabilidade do Prof. Dr. Nicolas Floriani, do Programa de Pós-graduação em Geografia da UEPG, será realizada neste ano fora dos ¨muros¨ da Universidade.

Apoiado por outros professores e profissionais voluntários da Rede Casla-Cepial, e pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais da UEPG, decidiu-se por realizar um período de vivência de uma semana na referida comunidade, onde serão trocadas experiências entre acadêmicos e habitantes do Faxinal.

A ideia vem ao encontro com os princípios da REDE que é dar voz aos atores  sociais historicamente inviabilizados pelas instituições formais (sistemas jurídicos, educacionais, democrático, etc), marcados pelo processo de modernização excludente, aproximando-se, com isso, das demandas reais das comunidades vulneráveis e em situação de conflitos socioterritoriais.

A disciplina contará com a participação dos seguintes professores: Nicolas (UEPG) , Almir Nabozny (UEPG), Tiago Augusto Barbosa (UEPG), Dimas Floriani (UFPR MADE), Adnilson Almeida Silva (UNIR), Josué de Castro Silva (UNIR), Maria das Graças Nascimento (UNIR), Antonio Haliski (UFPR Litoral), Sandra Engelmann (IFPR), Ancelmo Schoerner (UNIOESTE), Adilçon Campigoto (UNICENTRO), Reydi Moura (IESOL,-UEPG) e Luiz Alexandre Cunha (IESOL- UEPG), Marilisa do Roci Oliveira (PROEX-UEPG), Celbo Fonseca Rosas (PPGEO-UEPG), Tiago Augusto Barbosa (DEGEO-UEPG), João Dermiski (IFPR, Irati).

Além dos referidos professores, profissionais liberais voluntários da CASLA JUR também realizarão atividades no período: Gladys de Souza Sanchez (medica), dos advogados Emerson Handa, Kenya Horst, Nadia Pacher e Alessandra Faraco (CASLA JUR).

O grupo de Pesquisa Interconexões também terá participação na disciplina, ofertando cursos de capacitação aos faxinalenses em oficinas participativas:   Andrea Mayer Veiga (Msc. engenheira agrônoma),  Adelita Stanisky (Msc. geógrafa), Franciele Moreto (pedagoga), Ronir de Fatima G. Rodrigues (Msc. educação) Miriane Serrato (graduanda de geografia),Tamires Benky (administradora), Nilvan Laurindo (pedagoga).

A programação das atividades inclui aulas e leituras de textos, oficinas participativas, visitas ao território, conforme exposto abaixo.







PROGRAMAÇÂO


Segunda (16):

09h00 as 10h00
Direitos e Políticas Públicas para Populações Rurais Tradicionais.
Coordenação:
Dr. Valter Bianchini (EMATER-PR/FAO-BR)
Dr. Saint-Clair Honorato Santos (CAOPMA-MPP) 

10h00 as 15h30
Por uma epistemologia da diversidade e dos espaços marginais: (in)justiça ambiental, sujeitos subalternos, discursividades e res(x)istências no contexto do socioambientalismo contemporâneo. 
Coordenação:
Prof.Dr. Dimas Floriani (MADE-UFPR)
Prof.Dr. Almir Nabozny (PPGEO, UEPG)
Prof. Dr. Luiz Alexandre (PPGEO, UEPG)


16h00 produção de texto
Local: Casal Latino-americana, Curitiba, Paraná.

Terça (17):

9h00 as 15h00
UNIR  - Genero, territorialidade e Espiritualidade de Povos e Comunidades Tradicionais
Coordenação:
Prof. Dr.Josué da Costa Silva (PPGEO, UNIR)
Prof. Dr.Maria das Graças Silva Nascimento Silva (PPGEO, UNIR)
Prof. r. Ezequiel Westphal (IFPR, Paranaguá)

16h00 - Produção de texto
Local: Casa Latino-Americana, Curitiba-Paraná
Quarta (18)


09h00 as 15h00
Geograficidades, Territorialidades e Paisagens em Comunidades Rurais Tradicionais
Prof. Dr. Nicolas Floriani (PPGEO, UEPG)
Prof. Dr.Adnilson Almeida Silva (PPGEO, UNIR)
Prof. Dr.Celbo A. Fonsceca Rosas (PPGEO, UEPG)


16h00 - produção de texto
Local: UEPG, Campus Uvaranas, CIPP

Quinta (19)

9h00 - as 15h00
Historicidades, Memória E Paisagem Em Comunidades Rurais Tradicionais
Coordenação:
prof.Dr. Ancelmo Schorner (PPGH, UNICENTRO)
Prof. Dr. Adilçon Campigoto (PPGH, UNICENTRO)
Prof.Dr. Antonio Halisky (IFPR, Litoral)

16h00 - produção de texto
Local: UEPG, Campus Uvaranas, CIPP

Sexta (20)
09h30 - Recepção da Comunidade aos Participantes

10h00 -
História Vernacular Regional do Faxinal Sete Saltos e Conflitos Socioterritoriais Passados e Atuais
Coordenação: Prof. Msc. Marilei Ferreira e Marli Chagas.

13h30 -
- Visita Guiada ao Território - Geossímbolos passados e atuais do Faxinal: Floresta, Criadouro e Terras de Plantar: práticas produtivas, religiosas, festividades.


Sábado (21)

9h00 as 12h00
Curso De Capacitação Em Empreendedorismo E Economia Solidária (Interconexões e IESOL)
Profa. Dra. Reydi Rolim de Moura (IESOL, UEPG)
Administradora Tamires Benki (Interconexões, UEPG)


13h30 as 17h00
Curso De Capacitação E Empoderamento Jurídico (CASLA JUR)
Coordenação:
Advog. Nadia Pacher Floriani
Advog. Emerson Handa
Advog. Kenya Host
Advog. Alessandra Faraco
Advog. Adriano Falvo
Advog. Marcelo Bastos


Domingo (22) 

09h00 as 12h00

Curso De Capacitação Em Sistemas Agroflorestais - oficina participativa
Coordenação
Dra. Margit Hauer (IAP)
Prof. Dr. João Dermiski (IFPR, Irati)
Prof.Dr Nicolas Floriani (UEPG)
Msc. Ronir Fagundes Rodrigues (Interconexões, UEPG)
Samara Moleta (Interconexões-UEPG)
Miriane Serrato (Interconexões, UEPG)
Prof. Msc Tiago Augusto Barbosa (UEPG)
Prof. Msc. Sandra Engelmann (IFPR, Campo Largo)
Msc. Agronoma Andrea Mayer Veiga (CASLA)
Pedagoga Franciele Moreto (Interconexões, UEPG)


13h30 as 16h00
Oficina Prática de Enriquecimento florestal e Cultivo de Erva-Mate sombreada

17h30 - Confraternização

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

CARTA AO GOVERNO CHILENO PEDINDO QUE A JUSTIÇA SEJA ASSEGURADA AO POVO MAPUCHE

Solicitud del Departamento de Antropología de la Universidad Alberto Hurtado al Gobierno 




Lo que pedimos al Gobierno de Chile y al país es simple. El solo gesto de acoger a las familias mapuche enfrentadas a la muerte por  reclamar justicia. Lo que pedimos es simple: permitir que madres, esposas, hijos/as vean a sus hermanos encarcelados y garantizar un juicio limpio, sin la aplicación de leyes abyectas ni condenas mediáticas previas . No faltan para ello los mediadores ni las personas que de buena fe puedan concurrir a un acto que devuelva la vida a quienes - a cada segundo que pasa – la pierden.

Creemos que asegurar justicia, empero, no es posible cuando a los acusados se les ha imputado el ser terroristas. ¿Se puede ser justo frente a quien ya así es nombrado? Creemos que no, que no se puede, que cuando las cartas están echadas de una cierta manera la suerte está igualmente definida. Que es necesario, por el momento, juzgar de acuerdo a las leyes que la ciudadanía ha conferido a su poder judicial, leyes exenta de los vicios que hacen ilegítimas a aquellas llamadas antiterroristas. Y decimos por el momento pues, en definitiva, son leyes igualmente ajenas a un pueblo al que se desalojó de su tierra.
  
Y en esto debemos detenernos. ¿No ha sido ésta la forma como históricamente nuestro país ha juzgado al pueblo mapuche? ¿No hemos marcado acaso las cartas con que jugamos nuestro juego republicano? ¿No pronunciamos acaso como culpables de cualquier cosa al pueblo mapuche antes de iniciar juicio alguno? ¿No fue así como les expoliamos sus tierras?  

No es preciso remontarse a la temprana independencia para reencontrarse con el juicio turbio que enloda nuestra condición intercultural; basta con recordar la no tan remota transición a la democracia. No había transcurrido el primer decenio de gobiernos popularmente electos y ya estaban instaladas las fuerzas militarizadas de la policía chilena en Temulemu, en Angol, en Ralco, en Maiquillahue. Habíamos reconquistado la democracia y fuimos claros al hacer sentir al pueblo mapuche que ésta ya había dejado de ser su casa;  fue a ellos a quienes se llamó terroristas.

Desde entonces no han faltado chilenos, de gobiernos varios y de oposiciones varias, que han pedido invocar la espuria ley antiterrorista, sumando una veintena de años de terror a los siglos precedentes. 

El terror – y valga la iteración de la palabra – ha abundado más en la voz y en las acciones del Estado chileno que en parte alguna del territorio. Es por esto que afirmamos que el país, sus gobiernos y sus gentes no tenemos la soberanía moral como para acusar a quienes hemos acusado. Que por ello no podemos sino pedir a nuestras autoridades el gesto necesario para restablecer la cordura allí donde impera el agravio convertido en ley. 

Acoger, permitir que las familias se reúnan y asegurar justicia son deberes supremos, es lo que pedimos hagan nuestras autoridades.  
28 de septiembre de 2017


Desde ya agradecemos la acogida y difusión que puedan hacer de ella.
Saludos fraternales,

Firmantes,

Marta Alfonso, Académica del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Felipe Armstrong, Académico del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Francisco Blanco, Académico del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Javiera Bustamante, Académica del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Victoria Castro, Académica del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Itaci Correa, Académica del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Carol Chan, Académica del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Luis Cornejo, Académico del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Koen de Munter, Académico del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Francisca Márquez, Académica del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Miguel Pérez, Académico del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Carla Pinochet, Académica del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Leonardo Piña, Académico del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Boris Santander, Académico del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado
Juan Carlos Skewes, Académico del Departamento de Antropología, Universidad Alberto Hurtado

domingo, 3 de setembro de 2017

ADVOGADOS DO CASLAJUR SE REUNEM PARA DISCUTIR ESTRATÉGIAS JURÍDICAS DE DEFESA DA IDENTIDADE E DIREITOS SOCIOCULTURAIS DE FAXINAL

ADVOGADOS DO CASLAJUR SE REUNEM PARA DISCUTIR ESTRATÉGIAS JURÍDICAS DE DEFESA DA IDENTIDADE E DIREITOS SOCIOCULTURAIS DE FAXINAL 


Nesta última sexta-feira, dia 01 de setembro de 2017, os advogados voluntários CaslaJur se reuniram para traçar estratégias jurídicas para a defesa da identidade e dos Direitos culturais da comunidade rural faxinalense de Sete Saltos do Baixo, localizada no município de Ponta Grossa, Paraná.



Reunião dos Advogados Voluntários do CASLAJUR, os doutores Nadia Floriani, Adriano Falvo, Emerson Handa, Marcelo , Kenya Host e Alessandra Faraco. 

A reunião iniciou-se com a leitura das demandas dos moradores da comunidade sobre a atualização do estatuto e do regimento que conduzirá as práticas sociais da comunidade frente aos conflitos internos e externos vivenciados atualmente no referido território.

De acordo com a técnica do projeto ¨Selo Socioambiental de Produtos da Agrofloresta Faxinalense¨, a mestre em educação Ronir de Fátima G. Rodrigues, a comunidade apresenta alguns conflitos socioambientais que ferem as leis consuetudinárias relativas às formas de produção material e religiosa.

A título de explicação, pode-se dizer que um Faxinal trata de uma organização socioespacial rural que data da formação do Paraná agrário dos tropeiros e da erva-mate, há mais de 200 anos. Sua organização está baseada em uma relação intima com a floresta com Araucárias, em distintos graus de sustentabilidade ecológica, variando de comunidade para comunidade.

É possível adotar a paisagem como modelo para entender a organização social do território: o criadouro coletivo da Floresta com Araucárias, onde são criados à solta pequenos (porcos, cabras, ovinos) e grandes animais domésticos (muares, bovinos e equinos) que se abrigam e se alimentam dos frutos, folhas e raizes de árvores. Homens e mulheres retiram também da mata medicinas e madeira. Ainda dentro do criador comunitário, encontram-se as casas dos moradores, capelas, escola, quiosques, entre outros estabelecimentos. 

Assim, o criadouro comunitário é o centro da vida social faxinalense, que tem sua dimensão econômica privada nas ¨terras de plantar¨, circunvizinhas ao criador comunitário e separadas daquele pelos mata-burros (pontes vazadas que impedem a passagem dos animais para fora do criadouro).

Retornando ao referido Faxinal de Sete Saltos, os conflitos internos contemporâneos surgem principalmente com venda de terrenos do criadouro comunitário aos ¨chacreiros¨ vindos de outras localidades e que aportam e buscam reproduzir a lógica do regime de propriedade privada e a cultura urbana do individualismo. As práticas sociais dos novos moradores do criadouro comunitário entram em conflito com um modo de regime de uso coletivo da floresta. Com isso, o direito de passagem dos animais é impedido pelo cercamento dessas propriedades. 

Assim como em muitas outras comunidades rurais brasileiras e territórios tradicionais, outro fenômeno que incide em conflitos e tensões com o modo de vida tradicional é a entrada de igrejas evangélicas. Tal fenômeno de territorialização da igreja evangélica alcança o Faxinal Sete Saltos que presencia proibições e reprovações dos antigos cultos do catolicismo rústico pelos novos adeptos da igreja evangélica. Assim, as tradicionais procissões e suas festividades vêm sendo aos poucos proibidas e reprovadas no território.

Da mesma forma, o êxodo de jovens faxinalenses é um fenômeno também alarmante. Estes, sem perspectivas de trabalho, educação e lazer, e influenciados pela mídia de mercado que valoriza a cultura urbana e o consumismo, negam seu modo de vida, buscando abandonar a comunidade em busca de novas perspectivas nas cidades. 

Bem, a partir do exposto, é possível ter um ideia dos problemas atuais que assolam as comunidades tradicionais não só do estado do Paraná, mas como na América Latina rural em geral. Tal é o desafio, também do grupo de pesquisa Interconexões e da Casa Latino-americana, com o seu grupo de advogados populares.


Ambos os grupos sugeriram uma próxima visita para o detalhamento das demandas da comunidade e, proximamente, a participação na oficina de capacitação jurídica, conforme programação prevista no contexto do módulo de formação acadêmico-comunitário organizado pelas entidades da Rede.


Por Nicolas Floriani

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

REDE CASLA-CEPIAL, PROEX-UEPG E PPGEO-UEPG APOIAM A INICIATIVA DE LEVAR UNIVERSIDADE À COMUNIDADE

Regularmente ofertada, a Disciplina ¨Saberes Geoecológicos Tradicionais E Diversidade Socioterritorial¨, sob a responsabilidade do Prof. Dr. Nicolas Floriani, do Programa de Pós-graduação em Geografia da UEPG, será realizada neste ano fora dos ¨muros¨ da Universidade.

Apoiado por outros professores e profissionais voluntários da Rede Casla-Cepial, e pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais da UEPG, decidiu-se por realizar um período de vivência de uma semana na referida comunidade, onde serão trocadas experiências entre acadêmicos e habitantes do Faxinal.

A ideia vem ao encontro com os princípios da REDE que é dar voz aos atores  sociais historicamente inviabilizados pelas instituições formais (sistemas jurídicos, educacionais, democrático, etc), marcados pelo processo de modernização excludente, aproximando-se, com isso, das demandas reais das comunidades vulneráveis e em situação de conflitos socioterritoriais.

A disciplina contará com a participação dos seguintes professores: Nicolas (UEPG) , Almir Nabozny (UEPG), Tiago Augusto Barbosa (UEPG), Dimas Floriani (UFPR MADE), Adnilson Almeida Silva (UNIR), Josué de Castro Silva (UNIR), Maria das Graças Nascimento (UNIR), Antonio Haliski (UFPR Litoral), Sandra Engelmann (IFPR), Ancelmo Schoerner (UNIOESTE), Adilçon Campigoto (UNICENTRO), Reydi Moura (IESOL,-UEPG) e Luiz Alexandre Cunha (IESOL- UEPG), Marilisa do Roci Oliveira (PROEX-UEPG), Celbo Fonseca Rosas (PPGEO-UEPG), Tiago Augusto Barbosa (DEGEO-UEPG), João Dermiski (IFPR, Irati).

Além dos referidos professores, profissionais liberais voluntários da CASLA JUR também realizarão atividades no período: Gladys de Souza Sanchez (medica), dos advogados Emerson Handa, Kenya Horst, Nadia Pacher e Alessandra Faraco (CASLA JUR).

O grupo de Pesquisa Interconexões também terá participação na disciplina, ofertando cursos de capacitação aos faxinalenses em oficinas participativas:   Andrea Mayer Veiga (Msc. engenheira agrônoma),  Adelita Stanisky (Msc. geógrafa), Franciele Moreto (pedagoga), Ronir de Fatima G. Rodrigues (Msc. educação) Miriane Serrato (graduanda de geografia),Tamires Benky (administradora), Nilvan Laurindo (pedagoga).

A programação das atividades inclui aulas e leituras de textos, oficinas participativas, visitas ao território, conforme exposto abaixo.

PROGRAMAÇÂO


Segunda (16):

09h00 as 10h00
Direitos e Políticas Públicas para Populações Rurais Tradicionais.
Coordenação:
Dr. Valter Bianchini (EMATER-PR/FAO-BR)
Dr. Saint-Clair Honorato Santos (CAOPMA-MPP) 

10h00 as 15h30
Por uma epistemologia da diversidade e dos espaços marginais: (in)justiça ambiental, sujeitos subalternos, discursividades e res(x)istências no contexto do socioambientalismo contemporâneo. 
Coordenação:
Prof.Dr. Dimas Floriani (MADE-UFPR)
Prof.Dr. Almir Nabozny (PPGEO, UEPG)
Prof. Dr. Luiz Alexandre (PPGEO, UEPG)


16h00 produção de texto
Local: Casal Latino-americana, Curitiba, Paraná.

Terça (17):

9h00 as 15h00
UNIR  - Genero, territorialidade e Espiritualidade de Povos e Comunidades Tradicionais
Coordenação:
Prof. Dr.Josué da Costa Silva (PPGEO, UNIR)
Prof. Dr.Maria das Graças Silva Nascimento Silva (PPGEO, UNIR)
Prof. r. Ezequiel Westphal (IFPR, Paranaguá)

16h00 - Produção de texto
Local: Casa Latino-Americana, Curitiba-Paraná

Quarta (18)


09h00 as 15h00
Geograficidades, Territorialidades e Paisagens em Comunidades Rurais Tradicionais
Prof. Dr. Nicolas Floriani (PPGEO, UEPG)
Prof. Dr.Adnilson Almeida Silva (PPGEO, UNIR)
Prof. Dr.Celbo A. Fonsceca Rosas (PPGEO, UEPG)


16h00 - produção de texto
Local: UEPG, Campus Uvaranas, CIPP

Quinta (19)

9h00 - as 15h00
Historicidades, Memória E Paisagem Em Comunidades Rurais Tradicionais
Coordenação:
prof.Dr. Ancelmo Schorner (PPGH, UNICENTRO)
Prof. Dr. Adilçon Campigoto (PPGH, UNICENTRO)
Prof.Dr. Antonio Halisky (UFPR, Litoral)


16h00 - produção de texto
Local: UEPG, Campus Uvaranas, CIPP

Sexta (20)
09h30 - Recepção da Comunidade aos Participantes

10h00 -
História Vernacular Regional do Faxinal Sete Saltos e Conflitos Socioterritoriais Passados e Atuais
Coordenação: Prof. Msc. Marilei Ferreira e Marli Chagas.

13h30 -
- Visita Guiada ao Território - Geossímbolos passados e atuais do Faxinal: Floresta, Criadouro e Terras de Plantar: práticas produtivas, religiosas, festividades.


Sábado (21)

9h00 as 12h00
Curso De Capacitação Em Empreendedorismo E Economia Solidária (Interconexões e IESOL)
Profa. Dra. Reydi Rolim de Moura (IESOL, UEPG)
Administradora Tamires Benki (Interconexões, UEPG)


13h30 as 17h00
Curso De Capacitação E Empoderamento Jurídico (CASLA JUR)
Coordenação:
Advog. Nadia Pacher Floriani
Advog. Emerson Handa
Advog. Kenya Host
Advog. Alessandra Faraco
Advog. Adriano Falvo
Advog. Marcelo Bastos


Domingo (22) 

09h00 as 12h00

Curso De Capacitação Em Sistemas Agroflorestais - oficina participativa
Coordenação
Dra. Margit Hauer (IAP)
Prof. Dr. João Dermiski (IFPR, Irati)
Prof.Dr Nicolas Floriani (UEPG)
Msc. Ronir Fagundes Rodrigues (Interconexões, UEPG)
Samara Moleta (Interconexões-UEPG)
Miriane Serrato (Interconexões, UEPG)
Prof. Msc Tiago Augusto Barbosa (UEPG)
Prof. Msc. Sandra Engelmann (IFPR, Campo Largo)
Msc. Agronoma Andrea Mayer Veiga (CASLA)
Pedagoga Franciele Moreto (Interconexões, UEPG)


13h30 as 16h00
Oficina Prática de Enriquecimento florestal e Cultivo de Erva-Mate sombreada

17h30 - Confraternização

terça-feira, 1 de agosto de 2017

REDE CASLA-CEPIAL apoia o IV Simpósio Nacional de Geografia Política, Território e Poder (GEOSIMPÓSIO) e o I Congresso Brasileiro do Centenário da Guerra do Contestado (I CONGRESSO DO CONTESTADO)

 LUTAS, RESISTÊNCIAS, CRIMES DE GENOCÍDIO E DIREITO À VIDA E À EXISTÊNCIA EM TODAS AS FRONTEIRAS


Organização no período de 15 a 17 de novembro de 2017, o IV Simpósio Nacional de Geografia Política, Território e Poder (GEOSIMPÓSIO), o II Simpósio Internacional de Geografia Política e Territórios Transfronteiriços (GEOTRANSFRONTEIRIÇO) e o I Congresso Brasileiro do Centenário da Guerra do Contestado (I CONGRESSO DO CONTESTADO), tendo como temática central as lutas, resistências, crime de genocídio e direito à vida e à existência em todas as fronteiras, que, em conjunto, darão continuidade aos eventos anteriores ocorridos em 2009 (UFPR-Curitiba), 2011 (UNIOESTE - Foz do Iguaçu, com o GEOTRANSFRONTEIRIÇO), 2013 (UFAM – Manaus). O GEOSIMPÓSIO e o GEOTRANSFRONTEIRIÇO foram idealizados pelo proponente deste projeto em tela, em 2008, como forma de disseminar, agregar e debater temáticas geográficas, sobretudo da Geografia Política e da Geopolítica, a partir da Linha de Pesquisa Geografia Política, Território, Poder e Conflito. Os eventos têm por objetivo propiciar análise e discussões críticas contemporâneas da Geografia Política, da questão do Território, Territorialidade e Questões Transfronteiriças que vem sendo desenvolvidas em todo o Brasil e no exterior, com objetivos de divulgação, debate e formação de rede de intelectuais que trabalham com essa temática nas Instituições de Ensino Superior no Brasil e no exterior, bem como outras entidades de estudos e pesquisas, inclusive da sociedade civil. Com isso, os eventos permitirão a discussão de novos conceitos temáticos e aprofundamento e socialização daqueles já clássicos da Geografia Política, bem como no que se refere ao exercício das práticas (lutas e resistências). Concomitantemente, realizar-se-á o I CONGRESSO BRASILEIRO DO CENTENÁRIO DA GUERRA DO CONTESTADO, como esforço de divulgação e debates sobre este importante episódio registrado na formação territorial brasileira, inteiramente ligado ao tema central dos eventos da Geografia Política, Território e Poder. A inclusão deste evento, se deve a negligência da Geografia brasileira sobre as questões amplas e complexas que envolvem esta que foi a maior guerra civil camponesa registra em solo nacional no início do século XX.

Segundo o Coordenador Geral dos referidos eventos, o Prof. Dr. Nilson Cesar Fraga (UEL), 

     ¨O momento é fundamental para se refletir os centenários da Guerra do Contestado e o   massacre cometido pela República contra os caboclos e caboclas daquela região que, 100 anos depois, carrega os piores índices de desenvolvimento humano, tanto no Paraná, como em Santa Catarina. Há um vazio de debate sobre a Guerra do Contestado entre os anos de 2012 e 2017, período marcado pela limpeza étnica na região. Trazer o debate sobre essa guerra em eventos ligados a Geografia Política brasileira, é um alento, pois o tema fico nas sobras dos grandes eventos da Geografia nacional, no decorrer desses centenários¨.


Confira a programação do Evento no link: https://geosimposio2017.vpeventos.com/pagina/26-programação


PROMOÇÃO E REALIZAÇÃO:  
Laboratório de Geografia, Território, Meio Ambiente e Conflito – GEOTMAC/UEL 
Linha de Pesquisa em Geografia Política, Território, Poder e Conflito 
Observatório do(s) Centenário(s) da Guerra do Contestado 
Pró-Reitoria de Extensão – PROEX/UEL 
Programa de Pós-Graduação em Geografia – PPGEO/UEL/Paraná 
Programa de Pós-Graduação em Geografia – PPGG/UNIR/Rondônia

APOIO

Universidade Estadual de Londrina - UEL
 Laboratório de Geografia, Território, Meio Ambiente e Conflito
 Observatório do(s) Centenário(s) da Guerra do Contestado
 Pró-Reitoria de Extensão – PROEX/UEL
 Casa da América Latina – CASLA (PR)
 Rede Cultura e Educação para a Integração da América Latina- CEPIAL (PR)
 Programa de Pós-Graduação em Geografia – PPGG-UNIR
 Programa de Pós-Graduação em Geografia – PROPGEO-UEL
 Programa de Pós-Graduação em Geografia – PPGEO/UNICENTRO
 Associação dos Geógrafos Brasileiros – AGB-Londrina
 Curso de Secretariado Executivo - UEL
 Universidade Estadual do Norte do Paraná – Geografia/UENP
 Universidade Estadual do Paraná – Geografia/UNESPAR/UV
 Grupo de Pesquisa Redes e Poder no Sistema Internacional-RPSI
 Grupo de Pesquisa Estudos Geográficos - GPEG - UEA/Tabatinga
 Núcleo de Estudos do Contestado – NEC/IFC-Videira/SC


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Breve relato sobre o V CEPIAL - Encuentro Internacional MINGA PARA LA PAZ, EL BUEN VIVIR Y LA NO VIOLENCIA - 2017

Breve relato sobre o V CEPIAL, no contexto do Encuentro Internacional MINGA PARA LA PAZ, EL BUEN VIVIR Y LA NO VIOLENCIA – Pasto – Departamento de Nariño – Colômbia – 19 ao 23 de junho de 2017.


Participação da Rede Internacional Casla-Cepial:

Com a presença de participantes brasileiros (mais de 50 presentes só do Brasil), além de argentinos, chilenos, mexicanos, colombianos, guatemaltecos, equatorianos, panamenhos, peruanos, venezuelanos e kurdos, o evento, com mais de 400 participantes, caracterizou-se por um profundo entrelaçamento de culturas, representações de populações indígenas, afro-colombianos, pesquisadores, estudantes e organizações sociais, autoridades locais, nacionais e internacionais.


Na abertura do Encontro Internacional e do V CEPIAL, a Rede Internacional Casla-Cepial contou com a saudação da coordenadora geral, Dra. Gladys Renée de Souza Sanchez, que fez um emocionante manifesto pela paz, ressaltando que a mesma só faz sentido se for entendida como processo de construção em que os protagonistas são os próprios atores sociais, na perspectiva dos direitos humanos e da visibilização e correção das exclusões históricas das populações subalternas; em sua fala, foram abordadas vivências culturais por meio de metáforas e escritos literários relativos aos encontros, desencontros e imaginários sobre os trens, como alusão ao constante transitar de pessoas ao longo dos caminhos, encontros e desencontros, presentes em muitas narrativas dos escritores latino-americanos.





O evento contou com amplas conferências pelas manhãs dos dias 20, 21 e 22, com os seguintes temas:

* Dia 20 pela manhã: Guerra, globalização e re-existências, por meio de relatos, análises e depoimentos de mexicanos, colombianos, brasileiros, kurdos, equatorianos e venezuelanos.

* Dia 21 pela manhã: Conflito, pós-acordo, pós-conflito e reconciliação, com a presença de representantes das FARC, analistas políticos e acadêmicos.

* Dia 22 pela manhã: Mulheres, diversidade e mundos possíveis, com a participação de mulheres da Colômbia, Argentina, Guatemala e Brasil.

* Dia 23 pela manhã: Bem Viver e Paz com a Natureza com conferencistas do Equador, Colômbia, Chile, Panamá e Perú.

Rituais Místicos foram realizados no Pátio da Universidade, a fim de despertar a espiritualidade dos participantes com os elementos da natureza e os territórios autóctones das etnias andinas.





Pelas tardes, dos mesmos dias 20, 21 e 22, foram realizadas dezenas de mesas redondas em que foram debatidos os seguintes eixos temáticos: Territórios, culturas e naturezas na perspectiva biocultural; Bem viver e alternativas ao desenvolvimento; situação e apostas das mulheres em tempos de guerra e paz; Pedagogias para a paz, bem viver e sustentabilidade; Estéticas e narrativas audiovisuais de paz e conflito; Sujeitos subalternos, práticas sócio-políticas em situação de vulnerabilidade socioambiental; Espiritualidades, cosmovivências e práticas de libertação; Crise da democracia: Brasil, Venezuela e Colômbia – (i)legitimidade política, reformas e atropelo aos direitos sociais ; Gestão do território; Economias para a vida, cultivos lícitos e ilícitos; Soberania e segurança alimentar; Reforma agrária; Paisagens, territórios e naturezas em contextos de modernidades múltiplas; Violência de gênero, discriminação e inclusão social; Gênero e interculturalidade para a construção da paz. Todos os dias ocorriam apresentações artísticas, musicais, mostras de fotografia, murais, místicas com cosmovisões indígenas, feiras de livros.






Destacamos a belíssima apresentação musical no Teatro Imperial da cidade de Pasto da cantora brasileira (curitibana) Juliana Cortes Moraes (Grupo Invento Cultural) acompanhada por Fabrício Gambogi (violão) e Clarissa Ferreira (violino).



Na sexta-feira, dia 22, pela tarde, foi realizado o Carnaval para a Paz, com carro alegórico, bandas e fanfarras, com o passeio pelas ruas de Pasto, sendo que a apresentação contou com os aplausos da população que assistia nas calçadas da cidade.






A delegação brasileira fez uma visita a uma reserva ecológica Recanto Andino, em La Cocha, cuja gestão socioambiental é liderado pelas mulheres, cuja líder, Dueña Conchita nos recebeu e fez um relato emocionante das lutas de resistência de mais de 30 anos, como construção do Bien Vivir, baseado na concepção do desenvolvimento à escala humana dos ecologistas chilenos Manfred Max-Neef e Antonio Elizalde, em que se pratica a agroecologia e a gestão compartilhada dos bens comuns naturais. Na reserva ecológica pudemos passear pelas trilhas e visitar o Páramo em que se encontra a planta chamada de Frayleón que cresce 1 cm. ao ano, sendo que há plantas com mais de 500 anos.





Por Dimas Floriani